Quando está prestes a vencer-se metade dos 96 dias de
caminho para um total de 2127 km que constituem o evento “A Pé de Magenta a
Santiago”, vamos ao encontro dos peregrinos, algures entre Castelnaudary e
Saint Gaudens. Avistam-se já os Pirinéus e, na estrada, Giuseppe Gottardi, Pietro Piuri, Ângelo Basílico, Giuseppe Pigino, Franco Conti, Piera Pisoni, Ângelo
Lanticina e a nossa bem conhecida Anna Boccardo, não desarmam.
Acompanhando as crónicas de
Laura Basilico, ficamos a saber
que no passado dia 4 de Maio (domingo) os peregrinos deram
início à sexta etapa, abandonando a Via Domitia para tomar o velho caminho francês de Santiago
(via Tolosana). Cerejeiras carregadas de muitos e saborosos frutos são uma tentação
e ninguém se faz rogado, tomando de assalto as árvores ao
longo do caminho. Algures “recolhem”
o francês Jacques Rieme, também ele
a caminho de Santiago. Quer saber se “se sentem
os 790 km nas pernas", quem sabe se em busca de ânimo para o que ainda lhe falta
de caminho. Os peregrinos
mostram-se entusiasmados com o belo museu de fotografia e
cinema de Villetelle e com
a gentileza das autoridades locais que os brindaram
com um DVD turístico, bem “acompanhado” por… três garrafas de vinho.
Com cinco
semanas de caminhada, imersos na natureza,
entre neve, campos de alfazema e lírios selvagens, os peregrinos
optam por abandonar as estradas principais
e tomar os belos caminhos de terra batida que seguem
paralelos à estrada nacional
que os levará
a Béziers, o ponto de chegada
da sexta etapa. No dia 8 de Maio, as estradas mostram-se praticamente livres de trânsito pelo facto de
se comemorar em França o
final da Segunda Guerra Mundial,
de ser feriado nacional e dos camiões estarem proibidos de circular.
Na região provençal
de Languedoc-Roussillon, olhos
e paladar são recompensados por longos trechos de vinhas e por adegas onde se pudem degustar saborosos vinhos, especialmente aqueles de
Carcassonne.
Os peregrinos atingem
aquela cidade francesa no dia 15, após seguirem ao
longo do Canal du Midi, um canal artificial com uma extensão
de 240 km, construído para ligar
o Atlântico ao Mediterrâneo e regulado por eclusas ao longo
do percurso. A área também é famosa pelas suas muitas igrejas-fortaleza,
uma herança do período de violentas lutas religiosas, nomeadamente as que envolveram o movimento dos Cátaros. Entre lições de História, vestígios do passado, natureza e gastronomia, não se pode dizer que
aqueles que partiram de Saronno, quase há 920 km atrás, não estão a gozar
a vida!
Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO