Domingo, 27 de Abril de 2008

A PÉ DE MAGENTA A SANTIAGO

SUSA – EMBRUN


É segunda-feira, 14 de Abril, o relógio marca as 7h30 e está na hora de deixar Susa. Vamos ao encontro de Chiomonte e do imponente Forte Exilles mas, na realidade, deles veremos muito pouco. Uma intensa chuva e o vento frio turvam-nos a visão e tudo o que queremos é encontrar um bar. A tarefa torna-se, obviamente, muito complicada, com todos os bares encerrados às segundas-feiras de manhã! Todos, excepto um, que fazemos nosso.

Encontramos um bretão que regressa da Finlândia de bicicleta.

A máquina quebrou-se: as pernas são agora as suas rodas.

Saudamos Oulx. Carimbamos as credenciais no pároco que nos dá uma garrafa de vinho e, dado que seria mais um encargo para os nossos ombros, acabamos com ela rapidamente.

Saímos rumo a Claviére; a estrada empina-se para o céu, a mochila puxa-nos em direcção ao chão, o peregrino torna-se pequenino mas continua a avançar: olha para o sol, para as grandes montanhas brancas e sorri

Em Claviere partilhamos o farnel com os outros hóspedes do albergue: iogurte e frutas.

Em Monginevro as mãos estão doridas do frio. Encontramo-nos no ponto mais alto da nossa etapa, junto à fronteira com a França, e impõe-se uma fotografia.

Descemos para Briançon: Visto do alto, o Forte impõe-se ao nosso olhar.

É uma pena termos de avançar pelo asfalto mas o trilho continua impraticável devido à neve.

Em Briançon encontramos amigos que chegam de carro… carro… estranha forma de se deslocar.

Deixamos Briançon e podemos, finalmente, dar consolo aos nossos pés, ansiosos de terreno macio. O dia está lindíssimo, mas todos sabemos como o tempo, na montanha, pode mudar subitamente e de repente já nos encontramos num belo manto de neve: Os perfis são agora brancos, exaltando a rocha avermelhada da Têt d'Aval.

Novo dia, novas condições climatéricas: Sol. Sol que nos permite recarregar os nossos cérebros fotovoltaicos e chegar à cidadela fortificada de Mont Dauphin, onde um velho dos Alpes nos conta como o seu machado de gelo lhe salvou a vida.

Último dia de caminho para chegar a Embrun. A recente queda de neve oferece-nos ainda alguns fortes contrastes.

O trilho não é fácil: muitos desníveis, uma ponte meia derrubada, mas que compensa pela sua enorme beleza. Ao fim de 32 km, avistamos a Catedral de Embrun à nossa frente.

Para alguns, o caminho termina aqui, para outros durará ainda um pouco mais, para um restrito grupo seguirá até Santiago… Embrun vale bem uma festa!

Alessandra Andenna

 

Numa altura em que está já na estrada a 5ª etapa da arrojada iniciativa “A Pé de Magenta a Santiago”, trouxe aqui o delicioso testemunho da 3ª etapa, ligando Susa a Embrun, da autoria de Alessandra Andenna.

Recordo que, de Forcalquier, partiram hoje os peregrinos em direcção a Arles. Ao longo de 140 km, Giuseppe Gottardi, Pietro Piuri, Angelo Basilico, Giuseppe Pigino, Dino Olivetta, Antonio Merli e Dario Bertaglia atravessarão, sucessivamente, Reillanne, Apt, Notre Dame de Lumières, Cavaillon e Maussane Les Alpilles, para atingirem Arles no próximo dia 4 de Maio.

Acompanhe a viagem completa em http://www.academiaperegrini.it/.

Saudações atléticas.

 

A minha fotografia

Joaquim Margarido