SUSA – EMBRUN
É segunda-feira, 14 de Abril, o relógio marca as 7h30 e está na hora de
deixar Susa. Vamos ao encontro de Chiomonte e do imponente Forte Exilles mas, na
realidade, deles veremos muito pouco. Uma intensa chuva e o vento frio
turvam-nos a visão e tudo o que queremos é encontrar um bar. A tarefa torna-se,
obviamente, muito complicada, com todos os bares encerrados às segundas-feiras
de manhã! Todos, excepto um, que fazemos nosso.
Encontramos
um bretão que regressa da Finlândia de bicicleta.
A máquina
quebrou-se: as pernas são agora as suas rodas.
Saudamos
Oulx. Carimbamos as credenciais no pároco que nos dá uma garrafa de vinho e,
dado que seria mais um encargo para os nossos ombros, acabamos com ela
rapidamente.
Saímos rumo
a Claviére; a estrada empina-se para o céu, a mochila puxa-nos em direcção ao
chão, o peregrino torna-se pequenino mas continua a avançar: olha para o sol,
para as grandes montanhas brancas e sorri
Em Claviere
partilhamos o farnel com os outros hóspedes do albergue: iogurte e frutas.
Em Monginevro as mãos estão doridas do frio. Encontramo-nos
no ponto mais alto da nossa etapa, junto à fronteira com a França, e impõe-se
uma fotografia.
Descemos
para Briançon: Visto do alto, o Forte impõe-se ao nosso olhar.
É uma pena
termos de avançar pelo asfalto mas o trilho continua impraticável devido à
neve.
Em Briançon
encontramos amigos que chegam de carro… carro… estranha forma de se deslocar.
Deixamos
Briançon e podemos, finalmente, dar consolo aos nossos pés, ansiosos de terreno
macio. O dia está lindíssimo, mas todos sabemos como o tempo, na montanha, pode
mudar subitamente e de repente já nos encontramos num belo manto de neve: Os
perfis são agora brancos, exaltando a rocha avermelhada da Têt d'Aval.
Novo dia, novas condições climatéricas: Sol. Sol que nos permite
recarregar os nossos cérebros fotovoltaicos e chegar à cidadela fortificada de
Mont Dauphin, onde um velho dos Alpes nos conta como o seu machado de gelo lhe
salvou a vida.
Último dia
de caminho para chegar a Embrun. A recente queda de neve oferece-nos ainda
alguns fortes contrastes.
O trilho não
é fácil: muitos desníveis, uma ponte meia derrubada, mas que compensa pela sua
enorme beleza. Ao fim de
Para alguns,
o caminho termina aqui, para outros durará ainda um pouco mais, para um
restrito grupo seguirá até Santiago… Embrun vale bem uma festa!

Alessandra Andenna
Numa altura em que está já na estrada a 5ª
etapa da arrojada iniciativa “A Pé de Magenta a Santiago”, trouxe aqui o
delicioso testemunho da 3ª etapa, ligando Susa a Embrun, da autoria de
Alessandra Andenna.
Recordo que, de
Forcalquier, partiram hoje os peregrinos em direcção a Arles. Ao longo de
Acompanhe a viagem completa em http://www.academiaperegrini.it/.
Saudações atléticas.

Joaquim Margarido