Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

A PÉ DE MAGENTA A SANTIAGO


MAGENTA – VERCELLI


Sábado, 5 de Abril, 5 da manhã. Faz frio, o céu está estrelado e a escuridão pesa à nossa volta. Da igreja de Pontenuovo dão-se os “primeiros” passos da “primeira” etapa do longo caminho...


Enganamos o estômago com qualquer coisa, tira-se um par de fotos, Eva e Lorenzo enfiam cada qual o seu gorro de lã; em seguida, tochas de boa lenha acesas, rumamos ao Ticino. A humidade penetra-nos nos ossos e convida-nos a estugar o passo; de tal modo que, apenas hora e meia depois, chegamos a Cerano. Albeggia. Uma hora mais tarde e estamos em Sozzago onde fazemos uma pausa aguardando Ângelo, Pietro e Giuseppe, os amigos de Saronno que percorrerão por inteiro o Caminho.


O tempo começa a aquecer. De novo em marcha, atravessamos uma bela zona de arrozais. O espelho de água dos campos turvados pela brisa, o amarelo vivo dos exuberantes arbustos de mostarda selvagem são retratos evanescentes, com o Monte Rosa e os Alpes em pano de fundo. Reina a calma. A quietude das explorações agrícolas, aldeias... Uma paz que nos enche por dentro: olhar em frente e caminhar. Gianpaolo fá-lo através da lente da sua máquina fotográfica: a ele cabe a tarefa “oficial” de documentar com imagens e algumas palavras (de quando em vez anota algo no seu caderno de bolso) estas cinco dezenas de quilómetros iniciais.

Em Vespolate juntam-se a nós os “Amigos do Caminho”, de Novara.

O grupo cresce. O almoço está marcado para Confienza, onde chegamos por volta das 13:30. Para os pés, ar fresco e água pura. Anima-nos a “assistência” e os primeiros “bravos” dos organizadores da iniciativa. Luigi é o nosso “anjo da guarda”, com a bagageira do carro transformada em refrescante ponto de apoio: água e chá, bananas e laranjas, chocolate e avelãs. Chega de perguntas. Retemperados, erguemo-nos do chão (à falta de um banco, o peregrino “socorre-se” da calçada!): A meta já não está tão longe!

A dezassete quilómetros, na verdade, passado Sesia, entramos em Vercelli onde esperamos encontrar os “Amigos da Via Francígena”. Guiados por eles através do centro duma cidade repleta de gente nesta tarde de sábado, vemo-nos reflectidos nas grandes montras das lojas: o aspecto deixa muito a desejar, paciência. No adro da catedral de Sant’Andrea somos recebidos por Monsenhor Cavalone, pela Presidente do Comité de Geminação, Lella Bassignana – que atribuirá a Fábio, o nosso “Maestro di Bordone”, a homenagem do Presidente da Junta, Andrea Corsaro -, e por uma delegação francesa dos “Amigos da Via Francígena”. Está feito. Cinquenta quilómetros percorridos, podemos dizê-lo, “em grande”.

Buen Camino! a todos os participantes que se esperam em Santiago no próximo 24 de Julho. Amanhã e segunda-feira terá início a segunda parte da estafeta que levará os peregrinos até Susa: 144 km para percorrer ao longo da semana. Força!


Franca Galeazzi